BLOG Setembro Amarelo: ‘A importância de falar sobre um assunto visto como tabu’

Setembro Amarelo: ‘A importância de falar sobre um assunto visto como tabu’

Publicado em 15/09/2021

No último dia 10, foi celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, a data foi estendida para o mês inteiro: o Setembro Amarelo. A intenção é esclarecer o que é ideação suicida, desmistificar o tema, debatê-lo com a sociedade e levar informação e ajuda a quem precisa, com o intuito final de salvar vidas.

A psicóloga Suzane Busatta Ignachewski, destaca que “os índices, nas últimas décadas, têm sido bem altos”. “Daí a importância de poder falar sobre esse assunto que, muitas vezes, é visto como um tabu.”

Na entrevista a seguir, a profissional, com formação pelo Unicentro - Universidade Estadual do Centro Oeste); Residência Integrada Multiprofissional em Atenção à Saúde Oncológica pelo HE - UFPel; pós-graduada em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica pela Unochapecó; e formação em Psicoterapia Sistêmica Individual, de Casal e Família, ajuda a entender como identificar os sinais que podem levar ao suicídio em si e nos outros, como tratá-los e, assim, preservar a vida.



Qual a importância de estabelecer uma data, no caso um mês, o Setembro Amarelo, para discutir o suicídio?
A campanha Setembro Amarelo é associada ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, comemorado em 10 de setembro. No Brasil, em 2015, o CVV (Centro de Valorização à Vida), o Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria buscaram associar essa proposta do mês referente à data e também esta cor, que traz toda uma simbologia a respeito de uma tentativa de suicídio nos Estados Unidos. Então, tem-se essa ideia de trazer essa conscientização da importância da prevenção ao suicídio. Os índices, nas últimas décadas, têm sido bem altos. Daí a importância de poder falar sobre esse assunto que, muitas vezes, é visto como um tabu. Quanto mais a gente traz esse assunto em pauta para a sociedade, mais a gente leva conhecimento para as pessoas, com o intuito de prevenir, de evitar perda de outras vidas também.

Na prática, como acontece essa ajuda?
A campanha traz a questão da conscientização para falar sobre o assunto de uma forma mais clara, de tentar identificar os sinais, os sintomas, o que a gente precisa fazer quando tem alguém próximo da gente ou quando a gente está passando por alguma situação difícil e que está precisando de ajuda: como a gente ajuda alguém, onde a gente busca ajuda? É todo um contexto voltado a essa campanha para poder auxiliar as pessoas de uma forma mais científica e com informações de qualidade.

Quais os números de casos registrados anualmente no Brasil e no mundo?
Existem dados que apontam que cerca de 12 mil suicídios são registrados todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. O suicídio continua sendo uma das primeiras causas de morte em todo o mundo e algumas estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que uma em cada 100 mortes é devido ao suicídio. Número que levou a Organização a produzir novas orientações para ajudar os países a melhorar e ter estratégias de prevenção ao suicídio e de atendimento a essas pessoas também. Entre os jovens de 15 e 29 anos, o suicídio foi a quarta principal causa de morte, depois de acidente de trânsito, tuberculose e violência.

Existe um perfil, por sexo, idade, classe social e região? Ou o suicídio está presente entre todos?
Essas taxas, não tem como a gente discriminar exatamente, porque o suicídio não escolhe gênero, não escolhe idade, não escolhe classe social. Acontece com todo mundo. Então, essas taxas acabam variando por países, região, entre homens e mulheres. Mais homens morrem devido ao suicídio do que mulheres, mas as taxas de tentativas de suicídio são maiores entre as mulheres do que os homens. É que as mulheres tentam mais e os homens concretizam mais.

Mesmo com a característica de cada país ou região influenciando nas taxas, existe uma orientação mundial sobre como evitar o suicídio?
A Organização Mundial da Saúde lançou uma orientação para implementação de uma abordagem que se chama Live Life, de prevenção ao suicídio. São quatro abordagens nesta estratégia, que são limitar o acesso ao método de suicídio, como pesticidas, armas de fogo; educar a mídia sobre a cobertura responsável do suicídio - quer dizer, quando for divulgar alguma situação sobre o suicídio, saber exatamente o que falar, como falar, cuidar com morte de celebridade ou mesmo cuidar com discrição dos métodos que a pessoa usou para se suicidar; a terceira estratégia é desenvolver habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes; e a quarta é a identificação precoce, avaliação, gestão e acompanhamento de qualquer pessoa afetada, que esteja passando por pensamentos ou comportamentos suicidas.

Existe uma pré-disposição que leva as pessoas a tentarem contra a própria vida? O ambiente, pessoas, drogas e etc. influenciam a ideação suicida, ou é algo estritamente íntimo?
O suicídio é considerado um fenômeno multifatorial e multideterminado. Existem vários fatores, várias causas, para que uma pessoa pense em cometer suicídio. São fatores genéticos, fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais... Situações de vida também: separações, desemprego, luto, morte de familiares próximos. Essas são algumas situações que podem colocar a pessoa numa situação de vulnerabilidade, onde ela imagina que a única saída que ela tem para si mesmo seria cometer o suicídio.

São casos de desespero enorme?
Normalmente, um pensamento muito comum da pessoa que quer se suicidar é que, na verdade, não necessariamente ela quer morrer. Mas ela quer acabar com aquela dor, acabar com aquele sofrimento. E um índice muito alto de pessoas que cometem o suicídio são de pessoas com algum transtorno mental presente. Alguns casos de depressão, casos de transtorno bipolar, outros transtornos mentais, uso de drogas também - o álcool e outras drogas são fatores de risco. Mas é importante pensar que esses dados são considerados a partir dos suicídios confirmados. Entretanto, existem outros suicídios que não são tão claros assim. Por exemplo, um acidente de trânsito, às vezes, é considerado um acidente de trânsito, mas pode ter sido uma tentativa de suicídio, pode ter sido um suicídio. Então, esses dados são muito maiores do que normalmente a gente pensa.

Como uma pessoa que passa a ter ideação suicida deve enfrentar esse sentimento?
É importante a gente poder esclarecer o que é ideação suicida. Ideação suicida ou pensamento suicida é quando as pessoas pensam ou planejam algum ato de suicídio. Os pensamentos e esses planos podem variar de a pessoa ter um plano definido, como ser algo ou pensamentos aleatórios que passam na sua cabeça, uma consideração passageira sobre esse pensamento de tirar a própria vida. E esses pensamentos são muito comuns. Muitas pessoas experimentam esses pensamentos, esses sentimentos, quando estão sob algum estresse ou sofrendo um transtorno, depressão ou passando por uma situação de conflito. Mas, na maioria dos casos, esses pensamentos são temporários e são tratados. A pessoa consegue buscar ajuda e não chega ao ponto de correr o risco de cometer o suicídio ou de fazer uma tentativa. Entretanto, em outros cenários, a pessoa acaba tentando, muitas vezes não concretizando. Mas o fato de a pessoa ter tentado uma vez na vida cometer suicídio é um fator de risco para que ela venha cometer de novo.

E como buscar ajuda?
A primeira coisa que a pessoa que está passando por uma situação assim precisa entender é que ela não está bem e que “tudo bem, a gente não dar conta de tudo, o tempo todo” e “tudo bem, buscar ajuda”. Eu acho que essa é a parte mais importante que a gente precisa deixar claro: “tudo bem, a gente precisar de alguém”, “tudo bem, a gente buscar ajuda profissional, buscar ajuda da rede de apoio”. A pessoa que está passando por isso precisa comunicar sua família, precisa comunicar os amigos, as pessoas próximas, que talvez possam estar disponíveis para ajudar, para buscar um acompanhamento psicológico e um acompanhamento psiquiátrico também, o quanto antes.

Mas como dar este passo?
Não adianta, às vezes, a pessoa se julgar, se cobrar, pensar que não deveria estar pensando... Isso não vai resolver a situação. É preciso aceitar, acolher a presença desses sentimentos, dar atenção para esses pensamentos, para esses sentimentos, e poder expressar isso para a rede de apoio, que vai poder dar esse suporte. Então, é importante não sentir vergonha desses pensamentos e procurar ajuda. Quando esses pensamentos suicidas acabam dominando a mente, é como acreditar que ninguém pode ajudar e que colocar fim à vida seja a única solução. Mas é importante saber que a ajuda, tanto de amigos quanto de familiares e, principalmente, de profissionais da Saúde pode ser uma forma de fazer com que esses pensamentos cessem, que as coisas se organizem na vida dessa pessoa.

Há mais algo que a pessoa que passe por esta situação possa fazer?
Um outro ponto talvez importante é poder conhecer a história de superação de outras pessoas, pessoas que conseguiram superar esses pensamentos; buscar uma rede de apoio que seja acolhedora e não julgadora; ter bons sonos, ter uma boa qualidade de sono é importante; ocupar o tempo com atividades prazerosas; fazer coisas que mantêm longe desses pensamentos negativos.

Como amigos e familiares podem auxiliar essas pessoas?
O primeiro ponto é poder procurar um lugar calmo para conversar, reservado, onde a pessoa possa se abrir; poder ouvir essa pessoa sem julgamentos. É importante que a pessoa saiba que pode confiar em você, que você não vai julgar ou não vai criticar os pensamentos ou não vai menosprezar os sentimentos. Poder sugerir para essa pessoa para ela buscar ajuda de serviços de Saúde ou, dependendo da situação, de buscar um serviço de emergência. Quando a pessoa está em risco iminente de suicídio, a gente não pode deixar essa pessoa sozinha, porque é muito fácil ela acabar cometendo suicídio no momento de impulsividade.

Um outro ponto também, caso essa pessoa conviva com você ou seja uma pessoa mais próxima, é se certificar de que ela não tenha acesso a meios letais. Às vezes, facas, armas, remédios controlados – caso a pessoa faça uso. Então, esse tipo de coisa precisa ficar sob o olhar de uma outra pessoa, que não está numa situação de risco, para ela tomar cuidado disso.

Outro ponto é manter um contato constante com essa pessoa, acompanhando nas atividades. Dependendo da situação que ela está, ter a rede de apoio do trabalho, que vai estar acompanhando. Às vezes, até levar ao trabalho, buscar no trabalho, é uma atenção que preciso ser bem constante. E é por isso que a rede de apoio precisa ser grande, porque uma pessoa só não vai dar conta de cuidar sozinha de toda essa demanda de uma pessoa que está em risco de cometer alguma coisa contra sua vida.

Em caso de casais, como marido ou mulher pode ajudar o parceiro com transtornos?
Normalmente quando a gente fala de cônjuges, são as pessoas que passam mais tempo juntas. Mas não quer dizer que, por uma pessoa estar em sofrimento, os outros conflitos do relacionamento não continuem. Entretanto, quando está em risco tão grave a vida da pessoa, é importante que a gente evite algumas coisas. É preciso se mostrar disponível, não julgar ou criticar os pensamentos ou a fala dessa outra pessoa, buscar a rede de apoio social, profissional, familiar. Evitar cobranças, evitar conflitos por situações que, às vezes, acontecem na vida doméstica. Então, é importante e é um papel bem difícil, na verdade, do cônjuge que está junto com essa pessoa, porque é uma situação de tensão a todo momento. É preciso ser muito paciente, entender que a pessoa está em sofrimento mental e que, nesse momento, a gente precisa conter algumas coisas individuais, em função de um bem maior, que é a vida da outra pessoa. Então, compreender que ela está passando por uma situação difícil e que quanto mais pessoas tiver ao redor, mais a gente vai conseguir salvar essa pessoa.

E os filhos, como agirem com os pais? E ao inverso?
Eu penso que em relação aos filhos, é uma situação bem delicada. Dependendo da idade que esses filhos têm, eles não têm a capacidade e a maturidade para auxiliar os pais numa situação assim, de risco. Pensando em filhos menores de idade, precisa de uma rede de apoio maior, da família extensa, tios, avós ou outras pessoas, vizinhos, que vão poder dar esse suporte. Porque, um filho menor de idade não vai conseguir dar esse suporte. E mesmo filhos que são maiores de idade, é difícil dar esse suporte para os pais. É claro que os filhos vão ter que fazer esse papel, pelo cuidado, pela necessidade, pela vulnerabilidade dos pais nesse momento, mas precisa ter outras pessoas engajadas, irmãos – tios dos filhos, no caso irmãos da pessoa que está com depressão –, de lutar com esses pensamentos suicidas. E, da mesma forma, o inverso. Para os pais pode ser muito desafiador tentar entender o que esses filhos estão passando, esses filhos que às vezes são jovens, estão sentindo. Mas quando existe alguma coisa que indica que algo está errado, é preciso tomar os cuidados para evitar que o pior aconteça. Então, poder perguntar, poder escutar, estar atento, não negligenciar ou minimizar o sentimento da pessoa, poder ser paciente e também buscar essa ajuda profissional o quanto antes. Mesmo que às vezes o filho não deseja, é preciso buscar ajuda, sim, porque é só através de toda essa rede que a gente vai dar um suporte maior para essa situação.

Existem sinais que podem apontar um suicida em potencial?
Uma tentativa anterior de suicídio é sempre um fator de risco importante para se levar em consideração. Se a pessoa já teve uma tentativa de suicídio, pode ser que ela venha tentar outras vezes. Então, é um fator de risco que a gente precisa estar atento. Mas ela pode acontecer com qualquer pessoa, com qualquer faixa etária, com qualquer gênero, com qualquer classe social. Alguns fatores podem ampliar o risco. Como eu falei, os transtornos psiquiátricos, transtornos mentais, em especial quando se trata de depressão; transtorno bipolar; ansiedade; esquizofrenia; caso de abuso de drogas ou álcool; caso onde há traumas psicológicos, situações de abuso sexual infantil, na adolescência; problemas financeiros, também dependendo da situação e como é a pessoa - mais para homens -, problemas financeiros podem ser o motivo que leva ao suicídio.

Como identificar esses sinais?
É importante estar atento a alguns sinais que podem ser a pessoa começar a conversar sobre morte, começa a falar que gostaria de estar morto ou que está incomodando demais, que não gostaria de estar dando esse incômodo para as pessoas... Pode começar a ter uma falta de cuidado com aparência, com banho, a vestimenta... Uma falta de cuidados, assim, de uma forma geral. Mudança de humor: às vezes, a pessoa era de um jeito mais extrovertida e acaba sendo mais introvertida, acaba mudando. Sempre de um jeito que a pessoa era, ela muda o padrão de comportamento. Mudança no sono também, às vezes, a pessoa dorme demais ou tem insônia. Algumas tentativas de fazer as pazes com pessoas do passado, fazer despedidas, conversar sobre herança, conversar sobre cemitério e rituais de morte. Tudo isso, a gente precisa dar atenção.

Uma vez identificados esses sinais, como agir?
Às vezes, a gente tem uma falsa ideia de que a pessoa que vai cometer o suicídio não avisa e isso é errado, porque normalmente as pessoas avisam. Então, quando a gente escuta alguém dizer ‘Ah, eu prefiro estar morto. Seria melhor que eu tivesse morrido’, é importante que a gente tenha atenção. A gente tem ideia de que isso é só para chamar atenção, mas não é assim que funciona. Quando a pessoa avisa, a gente precisa ligar o nosso radar, estar atento, buscar o máximo de informações, buscar o máximo de pessoas possível para poder estar ajudando essa pessoa.

Há ainda um grande preconceito que ronda os transtornos psicossociais, como ansiedade e depressão, por exemplo. É esse um motivo para que as pessoas continuem se “autoexterminando”?
Eu penso que ainda hoje é difícil as pessoas falarem para outras que elas fazem terapia, ou que elas precisam se consultar com um psicólogo, com um psiquiatra. As pessoas acabam tendo vergonha de falar sobre isso. Diferente de dizer que você cuida da sua saúde física, que vai a um nutricionista ou que tem personal trainer, falar que vai no psicólogo é uma coisa meio estigmatizada ainda. Então, todo esse cuidado com a saúde mental ainda não é algo tão valorizado. E quando existe um transtorno mental, ainda mais. A depressão e a ansiedade têm uma aceitação, entre aspas, um pouco melhor para as outras pessoas. Mas outros transtornos, como transtorno bipolar, Borderline, que não são tão conhecidos assim, as pessoas acabam sofrendo ainda mais preconceito. E outra situação de preconceito muito comum é em relação ao gênero. A dificuldade de a pessoa se sentir aceita pelo grupo também pode ser um fator de risco, um fator que pode levar ao suicídio, como no caso de pessoas que são homoafetivas, que talvez não têm o apoio familiar, o apoio social, também podem encontrar esse meio como uma saída para se livrar da situação que estão vivendo.

As redes sociais são um “monstro” ou uma grande aliada na prevenção ao suicídio?
Eu acredito que as redes sociais podem ser as duas coisas: da mesma forma que elas nos conectam com pessoas queridas, então há possibilidade de interagir, de aprender coisas novas, a gente também fica exposto a uma realidade que é parcial da vida dos outros - a gente expõe uma parte da nossa vida, fica exposta a vida parcial e o que é exposto é sempre um recorte. E para quem está vendo pode parecer que aquelas fotos bonitas, aquela comida sempre apetitosa, sejam a realidade como um todo. Ainda não é raro a presença de sentimentos de frustração, de desesperança, insatisfação com a situação amorosa, profissional, financeira, por essa parcela que a gente está vendo da realidade dos outros. Então, é preciso muita atenção no uso das redes sociais, para que a gente não se torne refém dessa vida que a gente está vendo, que é a vida virtual e não é a vida real.

No mundo atual, com a sociedade enfrentando a pandemia e suas consequências, com a polarização político-ideológica levada ao extremo, com a pressão do mercado econômico, como manter a saúde mental e evitar a ideação suicida?
Eu acho que é uma situação bem delicada, que ninguém está livre de ter pensamentos suicidas, de ideias suicidas. Mas a gente precisa sempre levar em consideração e tomar muito cuidado com nossa saúde mental. Cada vez que a gente se respeita e se cuida, começa a compreender um pouco mais quais são os nossos limites, as nossas necessidades, a gente tende a se cuidar um pouco mais e aí esses pensamentos acabam sendo menos presentes, digamos assim. Quanto mais a gente previne que a gente adoeça, previne o adoecimento mental, mais a gente vai estar cuidando da nossa vida. Eu acredito que também ter o apoio da família, poder conversar, se expressar, se sentir aceito pelos grupos, também ter uma rotina de vida saudável, evitar uso de álcool e outras drogas, evitar o isolamento social - apesar de a gente estar numa situação bem delicada -, mas se manter conectado com as outras pessoas, se manter conectado com outros grupos.

Também é importante fazer exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada e ter cuidado com o nosso sono... Não descuidar dessas coisas que, às vezes, são pequenas, mas se somadas elas acabam fazendo uma diferença bem significativa nas nossas vidas.

Poder gostar do que a gente faz, buscar atividades prazerosas, ter atividades ao ar livre, enfim, encontrar alguma coisa que faça sentido para você - quem gosta de ouvir música, quem gosta de ler, ver filmes... Então, buscar essas atividades e, talvez, se a pessoa não conhece, não sabe dizer essas coisas que dão prazer, tem que encontrar de alguma forma, tem que experimentar, se dar a oportunidade de ter algumas outras experiências para poder buscar entender o que me relaxa, o que me faz descansar, o que me faz sentir bem: estar junto com amigos, estar junto com familiares, participar de grupos sociais, grupos de mulheres, de homens, grupos de amigos, de casais amigos. Acho que toda essa questão social grupal, do sentir-se pertencente a algum grupo ajuda bastante essa questão de saúde mental.

E claro, também, eu acho que a questão da psicoterapia é fundamental para qualquer pessoa, mesmo para quem não está em sofrimento mental. A psicoterapia é uma ferramenta que ajuda a gente a melhorar, ajuda a gente se conhecer, a se desenvolver pessoalmente, socialmente, profissionalmente, nos relacionamentos amorosos. Então, acho que a gente sempre tem que levar em consideração essa opção da psicoterapia como uma ferramenta de cuidado, de respeito, de a gente entender um pouquinho mais sobre nós mesmos.