BLOG Insônia no processo do envelhecimento. Como tratar?

Insônia no processo do envelhecimento. Como tratar?

Publicado em 01/04/2021

Umas das queixas mais comuns na terceira idade é a insônia. Afinal, o processo natural de envelhecimento provoca alterações nos padrões do sono, causando dificuldades para que a pessoa tenha uma boa noite de sono.

Estas alterações estão relacionadas ao enfraquecimento de receptores neurológicos que são conectados a substâncias químicas sinalizadoras do sono. Assim, o cérebro passa a ter dificuldades para perceber quando está cansado.



Contudo, outros fatores também pode causar impacto na quantidade e qualidade de sono na terceira idade, como doenças e distúrbios que são comuns nessa fase da vida. Entre elas estão o Alzheimer, Parkinson, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, e a urgência para urinar durante a noite.

Além disso, a menopausa e certos fatores comportamentais e psicossociais, como o luto, aposentadoria e o isolamento, podem estar relacionados aos problemas de insônia no processo do envelhecimento. A seguir, você poderá entender um pouco mais este assunto, e como é possível tratá-lo. Vamos lá?!

A insônia no processo do envelhecimento

A insônia crônica é uma das condições mais comuns durante o processo de envelhecimento. Nessa faixa etária, o sono torna-se naturalmente mais leve, nunca ultrapassando mais de 8 horas diárias. É possível observar muitos idosos com o hábito de dormir cedo para se levantar mais cedo, consequência de uma rotina de trabalho adotada ao longo da vida.

No entanto, a ansiedade exagerada em querer dormir a qualquer custo se torna desnecessária em uma nova rotina, como na aposentadoria. Os hábitos e peculiaridades do sono devem ser respeitadas, visto que esta é uma questão individual, variando de uma pessoa para a outra.

Causas

A insônia na terceira idade tem como possíveis causas a presença de doenças como Parkinson e Alzheimer, e alterações relacionadas a problemas respiratórios e de sobrepeso. Além disso, outros motivos que podem ser os causadores da insônia em idosos, são:

  • alterações psíquicas, como depressão e ansiedade;
  • alterações emocionais, como problemas conjugais, luto, questões financeiras;
  • abuso de cafeína, cigarro e bebidas alcoólicas;
  • distúrbios psiquiátricos, como transtorno de humor e transtorno bipolar;
  • demência;
  • uso de psicoestimulantes;
  • doenças como asma, refluxo, doenças da tireoide e reumáticas;
  • uso de medicamentos como anti-hipertensivos e antidepressivos.

Apneia e ronco

A apneia é uma síndrome comum entre os idosos em que o indivíduo apresenta paradas respiratórias e redução da frequência respiratória durante o período de sono. Isso causa dificuldades de oxigenação e provoca vários despertares durante a noite, problema que pode levar a insônia e sonolência durante o dia.

A apneia afeta 42% das pessoas acima dos 65 anos. Alguns fatores relacionados ao processo de envelhecimento podem explicar o aumento de números de casos desta síndrome em indivíduos na terceira idade. Entre eles, o mais comum é a tendência do colapso das vias aéreas superiores pelo enfraquecimento da musculatura da faringe, motivo que também pode explicar o aumento do ronco.

Como tratar a insônia na terceira idade

A primeira consideração para o tratamento da insônia em idosos é definir as causas do problema. Caso o problema esteja relacionado a outra condição médica, o tratamento deve ser realizado de forma imperativa. Entretanto, se a insônia for primária, ou seja, que não está relacionada a outras doenças, o tratamento deve incluir medidas não-medicamentosas e medicamentosas.

Pela ausência de efeitos adversos, deve-se considerar primeiramente condutas que não envolvam o uso de remédios. Além de reduzir custos individuais, as alternativas não-medicamentosas evitam problemas que podem estar presentes no uso de fármacos.

Em muitos casos, é possível resolver problemas de insônia com alternativas saudáveis, sem a necessidade da medicação. É importante também observar os hábitos diários do idoso, e como eles podem interferir na qualidade de sono. Algumas dicas que podem ajudar a combater a insônia na terceira idade, sem o uso de medicamentos, são:

  • estabelecer horários regulares para deitar e levantar diariamente;
  • evitar permanecer na cama quando acordado, principalmente quando tiver dificuldades para dormir;
  • evitar pequenos cochilos durante o dia;
  • evitar bebidas com cafeína após as 17 horas;
  • realizar refeições leves a noite e diminuir a ingestão de líquidos;
  • deixar o quarto confortável e escuro;
  • evitar aparelhos de celular ou televisão antes de dormir;
  • praticar exercícios físicos regularmente;
  • parar de fumar;
  • evitar o uso de bebidas alcoólicas a noite;
  • não passar o dia preocupando-se com a insônia;
  • ir para a cama somente quando estiver com sono.

Estabelecer uma rotina para o idoso contribui para que seu dia seja ativo, melhorando sua qualidade de sono. Por isso, quando possível, determine uma rotina que inclua horários fixos para despertar, alimentação, banho, período de lazer e descanso.

Contudo, se mesmo assim o idoso ainda apresentar insônia, o tratamento medicamentoso deverá ser considerado. Para isso, é preciso procurar atendimento médico para que o profissional possa realizar um diagnóstico baseado nas queixas e sintomas do idoso e assim escolher a melhor opção de tratamento.

Afinal, o tratamento envolvendo medicamentos deve ser feito somente sob prescrição e controle médico regular, com reavaliação periódica. Paciente e familiares devem entender que a medicação para combater a insônia é parte de um tratamento, entretanto, não é a solução para boa parte dos casos e sua manutenção em uso crônico pode causar efeitos adversos, como o próprio distúrbio de sono.

Somente com uma análise criteriosa dos fatores envolvidos e o acompanhamento médico regular, com reavaliações periódicas do idoso, podem contribuir para a melhora da insônia na vida do idoso, elevando seu bem-estar e qualidade de vida.

Você pôde conhecer melhor as causas da insônia na terceira idade, e como este problema pode ser tratado de diferentes maneiras. É importante lembrar que, caso o idoso continue apresentando dificuldades para dormir, mesmo após tentativas que não envolvam o uso de medicamentos, é preciso procurar um profissional para realizar uma avaliação completa, investigando as prováveis causas e tratando-as de maneira adequada.

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Eliza Inaê
Eliza Inaê
Sou enfermeira (UNOESTE) com pós-graduação em UTI (Uningá) e Oncologia (UNOESTE) e redatora de conteúdo web.
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