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Depressão no processo do envelhecimento

Publicado em 25/03/2021

É muito comum que a terceira idade seja associada à tristeza e mau-humor. Contudo, essa ideia esconde um grande problema relacionado aos idosos: a depressão no processo de envelhecimento. De acordo com informações do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 5% dos idosos que vivem em comunidade apresentam a doença.

Da mesma forma, no Brasil a depressão em idosos tem sido cada vez mais identificada, afetando o bem-estar, saúde e qualidade de vida de boa parte da população. A seguir, vamos apresentar informações importantes sobre o desenvolvimento da doença durante a terceira idade, assim como formas de tratá-la.



A depressão no processo do envelhecimento

Entre as doenças mentais, a depressão é uma das que mais afetam os idosos. Sua prevalência é a forma como se manifesta pode variar de acordo com a rotina vivida pelo indivíduo. Em pessoas que vivem com familiares e estão inseridas na comunidade, os sintomas de depressão aparecem em até 15% da população.

Entre idosos institucionalizados em casas de repouso ou asilos, esse número pode dobrar. Para aqueles que possuem problemas de saúde, e por esse motivo precisam viver hospitalizados, a prevalência de depressão é de 50%.

A depressão na terceira idade deve ser dividida entre 2 grupos: idosos que nunca tiveram depressão e passaram a ter no processo de envelhecimento, e aqueles que já vêm de um quadro de depressão ao longo da vida.

Para aqueles que desenvolvem a doença apenas na terceira idade, o componente hereditário é menor, visto que a doença está relacionada as dificuldades trazidas pelo processo de envelhecimento em si, tais como problemas cognitivos, quadros de demência, limitações causadas por doenças físicas e a perda de seu papel diante da sociedade.

De forma clínica, a diferença da depressão no processo de envelhecimento e a doença que atinge pessoas mais jovens são as queixas somáticas mais intensas e frequentes em idosos. Os sintomas depressivos na terceira idade podem ser traduzidos como dores por todo o corpo, falta de apetite, insônia, perda de energia para a realização de tarefas normais da rotina, apatia e isolamento, sendo esses últimos sinais de alerta para a identificação da doença. É possível perceber também que, em idosos, os sintomas clássicos da depressão não são exteriorizados, como o choro, angústia e tristeza.

O impacto da depressão na vida do idoso

A depressão não apresenta causa específica e pode ser desencadeada por diversos fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além dos fatores ambientais, característicos ao processo de envelhecimento, a doença pode se manifestar a partir de problemas relacionados à terceira idade, como o afastamento familiar, perda do cônjuge, aposentadoria, e mais.

As limitações físicas e fatores clínicos, como infarto, doenças cardiovasculares, transtorno de humor e Alzheimer, podem contribuir para o desenvolvimento de quadros depressivos. Em qualquer fase da vida, a depressão pode prejudicar a qualidade de vida. Contudo, na terceira idade, isso tende a se tornar mais intenso, visto que a recuperação de qualquer problema em idosos se torna ainda mais lenta.

Qualidade de vida

A depressão pode interferir em aspectos físicos, pois o idoso perde a vontade de realizar atividades prazerosas, praticar exercícios, alimentar-se de forma saudável, participar de programas sociais, e até mesmo tomar seus remédios de forma adequada, prejudicando o controle e a manutenção de outros problemas de saúde.

Vida sexual

O sexo é um aspecto importante na vida do adulto, não sendo diferente para os idosos. Ao entrar na menopausa, a mulher que está na terceira idade acaba desenvolvendo dificuldades na hora da relação sexual devido à baixa libido. Da mesma forma, homens podem sofrer com a impotência sexual e outros problemas que contribuem para o desenvolvimento da depressão.

Risco para suicídio

Entre as consequências mais graves que a depressão pode causar na vida do idoso, está o risco elevado para depressão. Pelo desânimo, apatia, desinteresse e frustração pela impossibilidade de desfrutar dos prazeres da vida, o idoso acaba desenvolvendo pensamentos ruins com facilidade, acreditando ser um peso para a família, culpado por alguma situação e sem esperança de melhorar.

A presença da família para o tratamento

É muito importante que familiares entendam a mudança de comportamento no idoso como algo atípico, que não é comum ao envelhecimento. Caso existam alterações na forma como o familiar se apresenta, episódios contínuos de isolamento, apatia, falta de apetite, é preciso que considerar esse comportamento como sintomas de depressão.

Muitos ainda consideram a mudança de humor em idosos algo natural do processo de envelhecimento, assim como as alterações cognitivas e declínio funcional, acreditando que não requerem atenção e tratamento adequado.

Esse é um dos motivos pelo qual a busca por ajuda especializada se torna tardia, prejudicando um tratamento adequado para o idosos. O envelhecimento natural deve ser saudável, por isso, ao perceber mudanças, a família deve oferecer ajuda.

Para o tratamento da depressão na terceira idade associa-se a combinação de medicamentos antidepressivos, diferentes medicações acessórias e, caso seja necessário, uma abordagem de diferentes aspectos de vida, como a retomada das atividades que contribuem para o papel do idoso na comunidade, psicoterapia, retomada do convívio social, atividades que auxiliem para manter o cérebro ativo, estímulo para exercícios físicos, e cuidado com a alimentação.

Além dos sintomas distintos, a depressão em idosos deve ter muita atenção em seu tratamento. Afinal, os medicamentos geralmente recomendados podem agravar outras doenças prévias. Por esse motivo, é fundamental buscar um especialista em psiquiatria geriátrica que possa tratar o indivíduo como um todo.

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Eliza Inaê
Eliza Inaê
Sou enfermeira (UNOESTE) com pós-graduação em UTI (Uningá) e Oncologia (UNOESTE) e redatora de conteúdo web.
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